10/01/11

13ª AULA - Corrente tradicional e renascentista em Camões

Na lírica camoniana coexiste a poética tradicional e o estilo renascentista.


Características da corrente tradicional

• As formas poéticas tradicionais: cantigas, vilancetes, esparsas, endechas, trovas...
• Uso da medida velha: redondilha menor e maior.
• Temas tradicionais e populares; a menina que vai à fonte; o verde dos campos e dos olhos; o amor simples e natural; a saudade e o sofrimento; a dor e a mágoa; o ambiente cortesão com as suas “cousas de folgar” e as futilidades; a exaltação da beleza de uma mulher de condição servil, de olhos pretos e tez morena (a “Barbara, escrava”); a infelicidade presente e a felicidade passada.

Características da corrente renascentista

• O estilo novo: soneto, canção, écloga, ode, entre outros.
• Medida nova: decassílabos.
• O amor surge, à maneira petrarquista, como fonte de contradições, entre a vida e a morte, a água e o fogo, a esperança e o desengano;
• A concepção da mulher, outro tema essencial da lírica camoniana, em íntima ligação com a temática amorosa e com o tratamento dado à Natureza (“locus amenus”), oscila igualmente entre o pólo platónico (ideal de beleza física, espelho da beleza interior), representado pelo modelo de Laura e o modelo renascentista de Vénus.

Um dos temas mais ricos da lírica de Camões é o Amor, ora visto como ideia (platonismo), ora como manifestação de carnalidade. Nesse Amor como ideia ou essência, nota-se uma nítida influência da poesia de Petrarca e Dante, sendo a mulher amada retratada de forma ideal, como um ser superior e perfeito.

Noutros momentos, talvez em função de sua vida atribulada, Camões não canta o amor espiritualizado, mas um amor terreno, carnal, erótico. Pela impossibilidade de obter uma síntese desses dois amores, nota-se, às vezes, o uso abusivo de antíteses.

O desconcerto do mundo foi um dos temas que mais preocuparam Camões, manifestando-se em poemas sobre as injustiças, a recompensa aos maus e o castigo aos bons; sobre a ambição e a inútil tentativa de acumular bens que acabam no nada da morte; sobre os sofrimentos constantes que aniquilam prováveis conquistas; enfim, sobre o conflito violento entre o ser e o dever ser.

Convocando saber, experiência, imaginação, memória, razão e sensibilidade, o autor sondava o sombrio mundo do Eu, da mulher, da pátria, da vida e de Deus. O poeta mergulhou num verdadeiro labirinto de "escavação" do Eu, marcado por estágios de angústia crescente.

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